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Conheça João Giancoli e o mel orgânico

"Quando elas [as abelhas] engolem e vomitam para outra abelha elas absorvem os venenos e nos entregam a matéria pura e nutritiva”

   João Giancoli, 55, trabalha com apicultura há 35 anos e desde o final de 2012 ele é certificado como apicultor de mel orgânico. Sendo que esse processo se iniciou em setembro de 2012 e em dezembro do mesmo ano fez a primeira colheita. O apicultor formado em zootecnia conta que decidiu seguir nessa até por ter estudado sobre apicultura durante a faculdade. “O que mais me chamou a atenção foi a organização social das abelhas e isso me encantou e me fez seguir nessa área” declara Giancoli.

   Zootecnista é um profissional da produção animal.  É função do profissional de zootecnia trabalhar para manter os animais em boas condições cuidar da reprodução e do melhoramento na produção de seus alimentos como ovos, leite e, no caso da apicultura, o mel. Eles levam em conta o cuidando da saúde, do peso e da alimentação dos animais.

 

João Giancoli, 55, zootecnista e apicultor
(foto: Arquivo Pessoal)

   Um fator importante para a alimentação é considerar quais nutrientes eles mais necessitam. João explica que os animais carnívoros necessitam de mais proteínas e as rações com maior quantidade desse nutriente são mais caras. As rações para os herbívoros já são mais rentáveis por não conterem tanta proteína e afirma que as abelhas dão um custo mínimo em sua alimentação, pois elas fazem uma reciclagem própria alimentando uma à outra, apenas em exceções é utilizado xaropes para elas.

 

Colmeias de Giancoli (foto: Arquivo Pessoal)

   Acima de 30 caixas – colmeias – o local é considerado apiário por ter uma produção em larga escala. A quantidade de abelhas num apiário é determinada conforme a época do ano. Nas estações quentes como primavera e verão cada colmeia pode ter entre 60 e 80 mil abelhas. Para um apiário ser certificado como orgânico ele precisa ter um raio de no mínimo três quilômetros de diâmetro de onde ficam localizadas as caixas. Nesse raio não pode haver indústrias, aterros sanitários – famosos lixões -, produtores convencionais que utilizem de agrotóxicos e pesticidas. Não pode haver nada poluente a sua volta.

 

   As regras de manejo exigem que o apicultor não mate a rainha nem o zangão, permitindo apenas a troca natural deles. Para alimenta-los é necessário o uso apenas de alimentos orgânicos, nesse caso o próprio mel e/ou açúcar orgânico, não utilizando os convencionais.

 

   Segundo João o auditor orgânico analisa também o processamento do mel. Nesse requisito é proibida a utilização de bombas para fazer a filtragem do mel. Essa filtragem tem que ocorrer por gravidade. “Para filtrar segundo as normas temos que aquecer ele [o mel] em uma temperatura de 35 graus durante uma hora” diz o apicultor. Ele ainda explica que os convencionais ficam expostos a uma temperatura de 45 graus durante uma noite toda. “Esse processo é proibido para o orgânico porque ele tem perda de várias propriedades”, continua. 

 

   “É impossível falar de apicultura sem falar de fumaça”, declara ele. Segundo Giancoli a utilização da fumaça não prejudica as abelhas, pois é uma simulação de incêndio. Devido a fumaça as abelhas enchem a barriga de mele voam para outro lugar fazendo com que a colmeia – no caso a caixa – fique vazia e a colheita possa ser efetuada. A abelha enchendo a barriga de mel quando a fumaça é expelida faz com que ela não consiga contrair o abdômen para ferroar, diminuindo o risco de ferroadas em apicultores. Esse é um meio de defesa delas. “A gente até brinca falando que se tiver um macacão e um fumigador o apicultor sempre vai escolher pelo fumigador para garantir sua segurança” conta rindo.

 

   Ele explica que o processo de derretimento do mel faz com que suas enzimas se quebrem e ele perca cerca de 60% dos nutrientes e que o orgânico não perde essa quantidade e quando cristalizado chega a ter 90% de todos os nutrientes. “As abelhas fazem um troca entre si. Quando elas engolem e vomitam para outra abelha elas absorvem os venenos e nos entregam a matéria pura e nutritiva”, explica ele.

 

   “Nós podemos reclamar do preço, mas compensa investir mais no que é natural do que no convencional” declara Polyana Vilasboas, 45, mulher de João. Ela contina dizendo que falta parte da conscientização das pessoas quando se trata de alimentação e defende os produtos orgânicos pelos benefícios que eles trazem. “O mel que realmente é bom é o que está cristalizado, ele não perde nenhum nutriente”, afirma João.

 

   O Brasil, comparado  a outros países, como a Argentina, é um dos poucos na América Latina que produz mel sem o uso de venenos e medicamentos nas abelhas. Pois ele possui uma das abelhas mais produtivas falando do de mel. "Nós podemos encher o peito e dizer que temos a melhor abelha do mundo" declara o apicultor.

por Samuel Araújo

 24/04/2016

Blog informativo experimental para as aulas de Jornalismo Digital da UNISO (Universidade de Sorocaba)

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